A L’école de Musique Conectée aposta nas novas tecnologias para ensinar música. Através de tablets, computadores e smarthphones, ela amplia as possibilidades de ensino e atende às necessidades dos novos músicos.

Assim como as redes sociais revolucionaram a indústria musical, as novas tecnologias estão revolucionando a maneira de fazer música. Para se tornar conhecido antes da internet, era preciso ter sua música na rádio e seu videoclipe na MTV – coisas quase impossíveis para a maioria dos artistas. Depois do surgimento do YouTube, qualquer um pode lançar seu próprio vídeo sem sair de casa. Vale lembrar que isso aconteceu com o cantor Justin Bieber, que começou sua carreira com covers em um canal do YouTube.

Que a indústria da música mudou, todo mundo já percebeu (ou ao menos, deveria ter percebido). Mas o impacto das novas tecnologias no ensino e na produção musical é um assunto muito mais novo.

A diretora da escola de música Solaure, Marie-Aline Bayon, é autora de um livro sobre a revolução digital e educação musical. Convencida da relevância das ferramentas digitais, ela lançou a L’école de Musique Conectée, primeira escola de música conectada da França. O objetivo é utilizar aplicativos e dispositivos eletrônicos para criar uma nova prática musical.

Neste vídeo podemos observar o uso do Super Pads, aplicativo musical brasileiro que tem se destacado no cenário mundial:

O Super Pads se assemelha a uma mesa controladora de DJ, com botões que reproduzem diferentes batidas. Todos os dias o aplicativo lança um novo kit de sons, inspirado em uma música famosa. Após a última atualização, o app também conta com a função “criar kit”. Essa é a ferramenta utilizada na aula da escola conectada, onde os usuários podem acrescentar seus próprios sons aos pads.

“Esta característica do Super Pads é realmente interessante,

porque você pode pegar sons de kits existentes no aplicativo e colocá-los

em um pad, gravar sons diretamente através do microfone do dispositivo,

ou fazer upload de sons através da biblioteca do aparelho.

As possibilidades são, portanto, múltiplas!”

(Marie-Aline Bayon – Diretora da Solaure)

Percebemos uma mudança na maneira de se fazer música. Enquanto saudosistas podem acreditar que DJ’s de verdade são aqueles que sabem sincronizar batidas em discos de vinil, o cenário atual mostra que as coisas mudaram. É preciso abrir a cabeça para entender que as novas tecnologias trazem muitas facilidades, mas também novas possibilidades.

Vamos pegar o exemplo do DJ Alan Walker, que com menos de 20 anos ultrapassou 1 bilhão de views com sua música Faded, no YouTube. Ele aprendeu a compor sozinho, através de tutoriais no YouTube, utilizando apenas um laptop e um software. Ele faz parte da nova geração de músicos conectados, assim como Martin Garrix, que com apenas 17 anos estreou na lista dos top 100 DJ’s do mundo.

Em um cenário anterior seria quase impossível artistas tão jovens e com poucos recursos alcançarem tal sucesso. A tecnologia torna muito mais democrático o acesso à informação e às ferramentas para se criar conteúdo.

O mundo mudou e ele não voltará a ser como há 20 anos. É importante que os educadores não vejam as novas tecnologias como desafios a serem superados dentro de uma sala de aula, mas como ferramentas que podem aumentar o potencial e as possibilidades de aprendizado, assim como Marie-Aline Bayon acredita.

Ana Loureiro

Ana Loureiro

Director of Social Media at Opala Studios